Thursday, August 31, 2006
Wednesday, August 30, 2006
About the green wheels
Ashes To Ashes
David Bowie
…Time and again I tell myself
I’ll stay clean tonight
But the little green wheels are following me
…
Mais uma dose…

* Tela de Andrés Rábago
O Bêbado
Hoje comecei meu dia
Meio sem ninguém
Ninguém que quero
Comecei meu dia bebendo.
O que será que ela quer, meu caro Baudelaire?
A Equilibrista
Pula ou não pula?
Pula uma pulga
Atrás da orelha
Tuesday, August 29, 2006
Adeus Lourdes !
Mudanças
Fim de linha, já era / Bernardo, valeu!
Abraços aos Guimarães
Aos montes, montanhas de beijos
Benvindos por todos os lados
Por todos os lados mudando de casa, de caso
Não sou mais seu Maria de Lourdes
Sou da cidade
Jardim
Marcos Noh -23/04/2006
A maluca da chuva
Estranhamente quando chove
Ela abre a casa
Cheira o vento assopra o mato.
Sai andando na chuva
Vendo flores por onde passa
Margaridas brancas rosas amarelas
Respira fundo
Prende o vento sai a flutuar
Por entre ruas e avenidas
Avista pomares e jardins
onde voa dançando
Dançando enquanto há chuva…
Enquanto a chuva dança
a música do amor
Ela sabe onde sente
só ela sabe onde começa
O barulho da água
A água que molha seu corpo ilumina suas certezas
Mostrando novas dúvidas
revelações
Na cabeça o sonho de um dia
em praça pública
Ser monumento
estátua viva
Para que todos os passantes
até os mais distraídos
Saibam que o amor liberta a alma do corpo que o sente
E enche de leveza
A existência do ser.
Rua 36
… Essa estrada nasceu letra com 36 anos, quase 37. Foi quando o poeta resolveu esperar a lua para sair na rua. Saiu de casa o poeta pela porta da frente, porta da mente. Ziguezagueou pela Terra, quintal de casa, Cidade Jardim. Beijando a flor entendeu o espinho(não necessariamente nessa ordem). Fez da letra música, dor e carinho. Este poeta sabe que na vida, de uma forma ou de outra, sempre chega o dia em que o amor vira poesia… caminho.

Tela: Red House - Munch
Monday, August 28, 2006
Prá começar…
Para pintar o retrato de um pássaro
Primeiro pintar uma gaiola
com a porta aberta
pintar depois
algo de lindo
algo de simples
algo de belo
algo de útil
para o pássaro
depois dependurar a tela numa árvore
num jardim
num bosque
ou numa floresta
esconder-se atrás da árvore
sem nada dizer
sem se mexer…Às vezes o pássaro chega logo
mas pode também ser que leve
muitos anos
a pressa ou a lentidão do pássaro
nada tendo a ver
com o sucesso do quadro.
Quando o pássaro chegar, se chegar guardar o mais profundo silêncio
esperar que o pássaro entre na gaiola
e quando já estiver lá dentro
fechar lentamente a porta com o pincel
depois
apagar uma a uma todas as grades
tendo o cuidado de não tocar numa única pena do pássaro.
Fazer depois o desenho da árvore
escolhendo o mais belo galho
para o pássaro
pintar também a folhagem verde e a frescura do vento
a poeira do sol
e o barulho dos insetos pelo capim no calor do verão
e depois esperar que o pássaro queira cantar
se o pássaro não cantar
mau sinal
sinal de que o quadro é ruim
mas se cantar bom sinal
sinal de que pode assiná-lo.
Então você arranca delicadamente
uma das penas do pássaro
e escrever seu nome num canto do quadro.
Jacques Prévert(trad. Silviano Santiago)