O Encantado
Retrato 3×4
Retrato 3×4
telefone, espelho, monólogo, reflexão, gritos, cantos aos berros, sussurros em cantos
porta na cara, pé na bunda, empurrão. Pulo para frente e falo antes que tudo aconteça
o recado começa com o que chega:
condomínio de pensamentos, casa da mente, a cabeça tem janelas que enxergam
abertas ou fechadas, a paisagem do coração.
os olhos das mensagens são fachadas
escritas ou pichadas,
palavras de ordem que se atiram da boca explicitamente
marcando presença na vida da gente, no relógio que marca o tempo que passa
e deposita na letra armas de construção (destruição?) em massa.
Na Praça Sete de Setembro vejo ex-desempregados em festa com o dinheiro do pão que virá empregados em campanha pedindo votos e confiança para homens empregados (os mesmos) que os colacam na rua todos os dias em praça pública agitando bandeiras preparando carreiras e pedindo no meio da fumaça dos canos votos e almas.

*Tela Meteoro,2004 de Andrés Rábago
4o. Motivo da rosa
Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.
Cecília Meireles
Vinhos Finos… Cristais
Paulinho da Viola/Capinam
Vinhos finos cristais
Talvez uma valsa
Adoecendo entre os dentes da noite
Vidro, espelho, imagem
O corpo adormecendo entre os dentes da vida
Imagem partida
Sangue
E o amor doente entre os dentes da saudade
Da morte, da engrenagem
As mãos doentes entre os dentes
Entre os dentes de um cão
O corpo fino, cristais
O quarto limpo, metais
Entre os dentes da paixão
Chão, caixão, escada
Apenas um jogo de palavras
Entre tudo e nada
Entre os dentes podres da canção
Buzios
Meu berço é rock’n roll
Hoje a vida é samba
O amanhã quem sabe é Deus
Para quem me lê, oi…
No caminho do trabalho, por entre ruas que passo todo dia, pessoas que vejo sempre , carros e motos, cartazes de políticos que querem continuar sendo, ví um cego com seu violão. O cego com seu violão enquanto cantava, caminhava não sei para onde.. várias pessoas se esbarravam na calçada menos o cego com seu violão e assim o dia começou e assim a cidade segue, cotidiano … segunda-feira, 03 de Setembro de 2006.

*Tela de Pedro Charters