sobrevôo de um cego
O cego sabe aonde vai, onde voa
sabe onde entra, onde sai
Ele abre as suas portas fechando várias outras
Incompreensivelmente vê beleza
Em tudo quanto há
Em tudo quanto há vida
Às vezes com gentileza explícita
Este simpático cavalheiro cego, onde esbarra
Nada deixa incólume
Abala o fel da solidão das pessoas
(a tristeza da vida, vício)
De luz própria, não há trevas por onde ele passa
Com elegante respeito, tudo muda
Tudo flui onde ele passa
Quando resolve sair, bater asas
Beijar todo mundo.
Debate-se quando, não raro
Ninguém o vê
Já pensou até em usar uma placa luminosa, no pescoço pendurada
E nela somente seu nome escrever.
Esta é a história de um cego sobrevôo, chamado somente
Amor