Monday, May 7, 2007

sobrevôo de um cego

O cego sabe aonde vai, onde voa

sabe onde entra, onde sai

Ele abre as suas portas fechando várias outras

Incompreensivelmente vê beleza

Em tudo quanto há

Em tudo quanto há vida

Às vezes com gentileza explícita

Este simpático cavalheiro cego, onde esbarra

Nada deixa incólume

Abala o fel da solidão das pessoas

(a tristeza da vida, vício)

De luz própria, não há trevas por onde ele passa

Com elegante respeito, tudo muda

Tudo flui onde ele passa

Quando resolve sair, bater asas

Beijar todo mundo.

Debate-se quando, não raro

Ninguém o vê

Já pensou até em usar uma placa luminosa, no pescoço pendurada

E nela somente seu nome escrever.

Esta é a história de um cego sobrevôo, chamado somente

Amor

Posted by Marcos Noh in 22:40:47 | Permalink | Comments (2)